
Errar é humano. Todos nós erramos, principalmente aqueles que têm a responsabilidade de tomar decisões. É claro que sempre procuramos trilhar pelo melhor caminho, ninguém quer errar de propósito. Eu confesso, errei. Errei em confiar demais em pessoas que não mereciam, pessoas que pensei que queriam o bem do esporte, mas percebi que o objetivo de alguns é manterem-se no topo a todo custo, mesmo se isto custar o desenvolvimento do esporte. Um grupo, uma casta, que só pensa em si. No mundial não foi diferente. Não pensaram no país e sim unicamente em tentar manter os amigos no topo.
Trabalhei tenazmente para levar nossos cavalos, cavaleiros e tratadores para Europa e apesar de que muitos duvidassem, consegui. Todos os cavalos, cavaleiros e tratadores tiveram TODAS as suas despesas de transporte e hospedagem PAGAS, fato inédito no enduro equestre do Brasil. Tinha esperança e a vontade de trazer uma medalha para nosso país, que sem dúvida, seria um grande salto para nosso esporte em termos internacionais. Não foi possível por motivos estranhos, completamente alheios à minha vontade e que sinceramente até agora, ainda não consegui entender.
A despeito de muito falatório de histórias inventadas, criadas por mentes que tem como objetivo deturpar, temos que enaltecer e muito, o desempenho de nossa equipe que dentre 25 equipes, alcançou a 8ª colocação e ainda foi um dos cinco países que terminaram a prova com três cavalos. Alguém poderá dizer, como aliás já disseram, que regredimos em relação ao mundial de 1998, mas não foi bem assim. A exigência de se fazer um mínimo de 12km/h em cada anel, foi um fator novo e de grande dificuldade. Prova disso é que em 1998, os dois últimos cavaleiros brasileiros, cruzaram a linha final com uma média de 9,59 km/h e no Panamericano do Canadá em 1999, a 10,84 km/h. Além disso, pela primeira vez colocamos nossos cavalos, competindo na mesma trilha com os estrangeiros e como vimos, nos saímos muito bem.
Individualmente também estamos de parabéns. Dos 139 cavalos que estavam na largada, 50 conseguiram cruzar a linha final. Lica/Itabara em 21º, Fernando Gondim/Morgaan em 38º e Henrique/Conan em 48º. O resultado esportivo foi sem dúvida excelente, infelizmente manchado pelos acontecimentos lamentáveis que passarei a narrar.
Fala-se muito. Fofocas e intrigas correm e os medíocres aumentam e inventam coisas. Eu que até agora estava calado, vou dar minha versão, a versão oficial dos fatos. Vou fazer uma cronologia , desde a seletiva, para que todos possam tirar suas próprias conclusões.
1 - Março de 2000 - Seletiva para o mundial, em Pindamonhangaba.
A seletiva foi um desastre. Infelizmente, chegamos a conclusão de que, depois de 10 anos, não tínhamos cavalos para o mundial. Talvez até fruto de uma cisão que não tenho duvidas, foi propositadamente provocada para manter-se um monopólio dentro da CBH e que nos levou inevitavelmente a um grande atraso. Dois cavalos chegaram, Faysal e Saad, este em condições precárias, fazendo o último anel a 4 km/h e MANCO. Passou pelo vet-check final, apesar disso. O cavalo Metro, que estava fazendo uma prova muito boa, teve seu cavaleiro doente e foi obrigado a abandonar.
No dia seguinte, a comissão composta pelos veterinários: José Prazeres, Gerson Vieira, Dácio Dias, Olegario Souza, Tania Hess e Neimar Roncati, mais a diretora da CBH Iara Cotta e eu, nos reunimos para fazermos uma análise da prova. Na hora eu fui enfaticamente contra a convocação do cavalo Saad, pelos motivos acima mencionados, mas fui convencido por alguns veterinários de que o problema tinha sido com a amazona, que teria sido hostilizada por pessoas na trilha e com medo andou devagar, mas que o cavalo estava em condições e que seria muito bom termos este animal no mundial. Não gostei, mas concordei e o cavalo foi selecionado, assim como o Metro.
Neste mesmo dia na prova de 120 km, a Lica com Itabara já pré selecionada, fazia uma grande apresentação e o Jatex, também pré selecionado, não compareceu à prova, devido a um problema de garrotilho, segundo sua proprietária a amazona Ana Luisa.
Já neste dia começou o "disse me disse" em relação ao Jatex.
Mandei então, que o Dácio e o Neimar fossem examinar o cavalo, o que foi feito, tendo eles me reportado que o Jatex, naquela altura, estava em ótimas condições e não passava mais por nenhum problema maior.
2 - Dia 6 de maio – Try Out em Compiègne.
Como três brasileiros – Zezo, Léo e o Schioppa – haviam comprado animais na França e iriam fazer o try-out, decidi devido a fraca apresentação dos cavalos na seletiva, observar esses animais na França. Viajei para Compiègne, onde me encontrei com o Prazeres. Assim que viu os animais, um dia antes da prova, o Prazeres achou-os fora de forma, parecendo que eles não estavam devidamente treinados para enfrentar uma prova internacional de tal importância. O Zezo e o Léo foram eliminados no segundo e quarto anel respectivamente, enquanto que a égua do Schioppa seguia. Os brasileiros na verdade, não estavam competindo, mas sim graduando seus animais e portanto, fizeram a prova tranqüilamente, um esperando pelo outro quando um se atrasava no vet, parando nos pits mais do que o necessário. A égua do Schioppa chegou ao final no galope, em 38º lugar (largaram 140 conjuntos), entrou no vet check em 3 minutos e no trote final foi aplaudida pelo veterinário que a estava examinando. A média foi de 11,31 km/h, desdenhada por muitos, mas devido às condições em que ela fez a prova e a dificuldade da trilha, ela foi muito boa.
Realmente, este animal me impressionou muito e também ao Prazeres e numa conversa que tivemos em Orly, ele resolveu convocá-la.
Eu sabia que a convocação do Schioppa iria dar falatório no Brasil, mas minha intenção foi sempre de levar o melhor para a França e comparando a seletiva no Brasil com a prova na França, a égua dele era sem a menor dúvida, um dos melhores animais que tínhamos para o mundial. Ele como cavaleiro, também se portou muito bem, pois com raça e determinação, saiu no ultimo anel ultrapassando os que estavam à sua frente, ao contrário do que fez a Mariana na seletiva, que chorava e não queria continuar na prova.
3 - Dia 9 de maio – volta ao Brasil
Neste dia, cheguei ao Brasil e comecei a receber telefonemas dos inconformados. O principal e mais insistente era o Parra, cobrando a ida do seu animal Vermout, que segundo ele teria sido injustiçado na seletiva. Falou muito, escreveu carta para o General e diante disso, como ainda precisávamos de mais um cavalo, resolvi dar mais uma chance para aqueles que tinham ido à primeira seletiva, na prova do Paschoal em Holambra. Falei com todos. Alguns não foram, como a Silvia e o Quintas e surpreendentemente, o Parra que mais reclamou, não levou o Vermout.
4 - Dia 2 de junho – prova de Holambra.
Na prova de Holambra, entraram para a seletiva o Conan, o Kasquel e o Morgaan, além do Jatex que seria observado.
O Kasquel sentiu e saiu. Ficaram o Conan, que venceu a prova, o Morgaan e o Jatex, que chegou em ultimo.
Após a prova, houve uma reunião dos veterinários que tinham comparecido: Gerson, Neimar, Dácio e mais Iara, José Armando e eu. Resolveram convocar o Conan que tinha vencido e o Morgaan, porque segundo eles, este cavalo tinha feito uma prova muito boa e estava em melhores condições do que todos no final. O Jatex segundo eles, não estava bem, tendo chegado muito mal no final e deveria ser posto na reserva, fato que o Prazeres não concordou de pronto, mas numa ida do Neimar à Portugal, parece que ele o convenceu.
Dias depois houve um jantar em São Paulo com os cavaleiros convocados, os veterinários paulistas e mais algumas pessoas ligadas aos cavaleiros. Neste jantar os veterinários disseram que o Jatex seria o reserva, a Ana Luisa não gostou e no meio de muita discussão, encerrei o assunto, cedendo aos argumentos dos veterinários, apesar de ter muitas dúvidas a respeito. Nesta reunião, os veterinários tentaram excluir a Tânia, mas eu a mantive na equipe, pois além de competente, não fazia parte do grupo e sua opinião não seria influenciada.
5 - Mundial.
Os cavalos chegaram um mês antes do dia da prova, junto com o Fernando, o Dácio, a Lica e a Mariana, no dia 26 de julho. No dia 4 de agosto, o Schioppa tinha programado um treino na praia. Convidou o Prazeres para assisti-lo, mas como ele não quis ir, ele então levou o Dácio para observar. O treino foi um galope de uma hora e meia e no final, o Dácio achou que ela estava um pouco sentida da mão direita, mas não mancava. No dia 11, fizemos um treino de cerca de 60 kms na trilha da prova e os cavalos Conan e Saad sentiram. No dia 16 eu cheguei à França e me deparei com o seguinte cenário: os cavalos Conan e Saad estavam sendo tratados com gelo, caminhavam pela manhã e mais gelo. Estranhamente no entanto, os veterinários estavam bastante tranqüilos com relação a estes problemas, dizendo que tudo era normal, que o Conan sempre ficava inchado após um treino forte, porém mais estranhamente ainda, o "problema" da Ghenelia (égua do Roberto Schioppa) era sempre "preocupante". Encontrei ainda o Metro com o posterior esquerdo todo ralado, devido a uma queda no asfalto e bastante gordo, pareceu-me que tinha perdido a forma.
Comecei então a receber telefonemas do Brasil, do José Armando Garcia, contando-me que os veterinários já haviam decidido tirar o Schioppa da prova, ele dizia: "Cacá, eles vão tirar o Schioppa, já decidiram". Eu respondia que podiam até tira-lo, mas antes teriam que ver, observar e comparar a égua com os outros cavalos, pois ela só chegaria a Compiègne no dia 19 e que se ela estivesse pior do que os outros, tudo bem, eles poderiam não coloca-la na prova.
No dia 21, fizemos uma avaliação de todos os animais. Os cavalos eram flexionados e puxados. Os exames eram feitos sómente na presença do cavaleiro e tratador, os veterinários, Iara e eu. Neste dia o Prazeres ainda não havia chegado, mas falava todo dia com o Neimar por telefone. Todos estavam bem, menos o Saad que nitidamente MANCOU da mão direita, mas nada foi comentado a respeito pelos veterinários. A égua do Schioppa, segundo eles estava um pouco sentida do tendão da mão direita (a mesma que o Dácio observou no treino na praia). Neste dia, fui com o Dácio e a Tania até o hipódromo, onde seria realizado o campeonato e conversando com o Dácio sobre os problemas dos cavalos e fazendo uma análise de cada um, ele no meio da conversa me disse: "Cacá, tudo isso que estamos falando, acho que está certo, só não acho certo o que o Prazeres fez. Ligou para o Neimar para pedir para que eu dissesse para você que a égua do Schioppa havia mancado no treino da praia e nem deveria vir para Compiègne. Eu acho que isto é sacanagem pois ela não mancou e jamais eu iria fazer uma coisa dessa". Eu que já estava desconfiado que uma trama estava se desenrolando, fiquei mais do que certo depois do que o Dácio me confidenciou. O Schioppa jamais entraria na equipe.
No dia seguinte, terça-feira, ao ser ferrado para a prova o Faysal mancou, mas novamente este fato foi escondido de mim. Somente à noite durante o jantar, o Léo comentou o assunto e como estavam presentes o Neimar e o Gerson, eles de pronto minimizaram o fato argumentando que tinha sido um leve problema de ferrageamento e que o cavalo já estava muito bem. Na prova, o Faysal fez sómente o primeiro anel de 30 km e foi retirado devido justamente àquela manqueira.
Cerca de 1 hora da manhã, chegaram o Prazeres e o José Armando. Eu os estava esperando e eles no meio da conversa no hall do hotel, começaram a dizer que o Schioppa estaria fora. Eu respondi que enquanto o Prazeres não examinasse a égua, comparando-a com os outros animais, ele não poderia decidir nada, pois eu era radicalmente contra a política do "não vi e não gostei".
No dia seguinte, quarta feira 23, fizemos nova avaliação dos cavalos, já com a presença do Prazeres. Novamente, flexionamento e trote. Acharam que o Metro podia ter alguma coisa na mão direita, mas logo depois o aprovaram. O Saad puxado, MANCOU novamente da mão direita e mais uma vez nada foi comentado pelos veterinários. A égua do Schioppa foi a ultima a ser puxada e como o Prazeres já a conhecia do Try Out, achou como eu também achei, que ela tinha melhorado bastante em relação àquela prova no que diz respeito à sua forma física. Como não podia deixar de ser, o Prazeres também achou que ela estava um pouco sentida do tendão da mão direita, mas que não era nada crônico, nada assustador.
Eu, nesta altura, já estava certo de que havia um trato, um pacto, um conchavo entre eles, para barrar o Schioppa, mas na verdade ainda não acreditava que eles pudessem preterir a Ghenelia, sã, pelo Saad completamente MANCO.
Terminado o exame, os veterinários se reuniram. Horas depois, fui chamado para que eles me informassem o resultado da avaliação e para decidirmos quais os seis cavalos que iriam para a prova, pois aquele era o último dia para as inscrições. Antes porém, fiz questão de dizer que estávamos ali representando nosso país e tínhamos que decidir sem pensar em amizade ou sentimentalismo e sim pelo que seria melhor para nossa equipe. O Prazeres pediu a palavra e disse que dois animais, Ghenelia e Saad, estavam com problemas. O do Saad era no boleto enquanto o da Ghenelia era no tendão e que eles poderiam fazer uma infiltração no boleto do Saad, que eles garantiam que ele aguentaria toda prova, enquanto a égua era uma incógnita, portanto eles optariam pelo Saad. O pior é que antes de me comunicarem esta decisão, primeiro comunicaram à interessada, isto é, à Mariana, que já estava do lado de fora da sala com o cavalo, esperando pela tal infiltração. Argumentei que este cavalo já havia mancado na seletiva e aquele ridículo último anel a 4 km/h não o credenciava para disputar esta prova, enquanto que a égua fora de sua forma ideal, tinha completado o try out, numa trilha muito mais difícil e terminado muito bem. Houve um certo mal estar entre eles e a discussão se estendeu por cerca de uma hora e meia, eu sempre com argumentos contrários aos do Prazeres e do Neimar, que cada vez ficavam mais nervosos, pois era óbvio que já tinham se comprometido a colocar o Saad na prova e teimavam em dizer que com a infiltração, ele iria chegar no final. A Tania concordou comigo, dizendo que para ela tanto fazia e ficaria com sua consciência tranqüila se a égua fosse para a prova. O Dácio quase não falou, mas o Prazeres e o Neimar insistiam para que o Saad participasse. Eu que já tinha conhecimento do acordo feito entre eles e como Chefe de Equipe tinha TODO DIREITO DE DECIDIR, encerrei a reunião optando pela égua Ghenelia, na mais absoluta certeza de que eu tinha decidido pelo que era melhor para nossa equipe.
Quando voltei para o Hipódromo, já estava armada a maior confusão. Os amigos da Mariana estavam inconformados, enfurecidos e reclamavam aos berros não para mim, mas para o Prazeres. O Gerson, que era veterinário da FEI e deveria ficar distante dos nossos problemas, entrou para exaltar ainda mais os ânimos. Todos querendo proteger a Mariana. Os cavaleiros pediram uma reunião comigo. Argumentaram, dizendo que queriam que somente cavalos brasileiros fossem para a prova. Expliquei que quando um cavalo estrangeiro é comprado por um brasileiro, o animal toma a nacionalidade do proprietário e assim sendo, a égua também era brasileira. Disse ainda que diante da informação dos veterinários de que os dois cavalos estavam com problemas, decidi escolher aquele que tinha sido melhor na seletiva e isto era incontestável. Num dado instante, o Léo tomado pelo desespero, pois segundo ele não conseguia ver sua mulher chorando, partiu para cima de mim aos berros, mas como estava a cerca de 10 metros de distancia, foi logo contido. Logo depois veio me pedir desculpas, arrependido. Todos estavam inconformados na certa porque eu havia implodido a tramóia. O que se viu nesta hora, foi um total desrespeito à hierarquia, ao comando, à autoridade, desrespeito às decisões tomadas, desrespeito à minha pessoa que trabalhou intensamente para conseguir a verba para leva-los ao mundial. Sei que muitos ali não teriam jamais condições de disputar um mundial, arcando com a sua despesa e mais de seu cavalo. Foi também uma falta de consciência, POR PARTE DE ALGUNS, de que estávamos ali representando nosso país e não um grupo, que se achava intocável. Na verdade estava tudo preparado, tudo armado, para não deixar o Schioppa entrar, mesmo sacrificando-se um cavalo de nossa equipe, que estava COMPLETAMENTE MANCO. Na verdade até agora, não sei qual foi o motivo de tanta histeria. Não sei se foi pelo interesse de alguns no cavalo, se foi um pacto entre eles para tirar o Roberto já que ele não fazia parte do "grupo". Mesmo assim, com toda esta confusão, toda a gritaria e choradeira, mantive minha decisão, que repito, ESTAVA MAIS DO QUE CORRETA. Meu intuito era fazer aquilo que fosse melhor para o Brasil e tinha plena convicção de que o Saad não tinha a mínima condição para terminar a prova.
No dia seguinte, quinta-feira 24, pela manhã, saindo do alojamento junto com o Guilherme Santos, ele recebeu um telefonema do Schioppa, informando que a sua égua estava mancando sem conseguir apoiar a mão esquerda no chão. Senti logo o drama. Alguém tinha feito alguma coisa para tirá-la da prova. O Prazeres dizia que não, que ela tinha se machucado sozinha na baia, mas a contusão era muito forte para crermos nisto. Diante disso, tive que inscrever o Saad. Hoje, diante do relatório do veterinário francês da égua, estou certo de que houve um atentado criminoso, uma autentica obra dos mais perigosos mafiosos e que precisa ser apurada custe a quem custar. Fiquei realmente perplexo, pois não acreditava que alguém ligado ao cavalo, pudesse fazer tamanha maldade contra um animal inocente e que sofreu barbaramente. No Brasil, recebi o relatório do ultrasom feito nos tendões das mãos da Ghenelia e como eu tinha plena certeza, NÃO FOI CONSTATADO NENHUMA LESÃO NO TENDÃO DA SUA MÃO DIREITA, AO CONTRÁRIO DO QUE DIZIAM OS VETERINÁRIOS TODO O TEMPO, reforçando minha crença de que tudo foi um jogo antecipadamente planejado, arquitetado, inventado. Ainda me pergunto se eles queriam tanto que o Saad corresse, porque não fizeram a infiltração antes, aqui no Brasil? Porque deixaram para que os veterinários tomassem esta decisão lá na França?
Fomos para a inspeção inicial antes da prova e o clima não era nada bom. Eu estava arrasado e não me conformava com tamanha barbaridade. O trote do Saad não foi bom e acho que se fosse uma prova aqui e tendo um veterinário competente e honesto, ele não passaria. Nem a infiltração tinha dado jeito. Levou um B. Os outros foram bem.
Na prova confirmou-se o que eu já esperava, no segundo anel o cavalo foi eliminado, pela mesma manqueira que ele apresentava desde o Brasil e que os veterinários não "quiseram" ver.
No dia seguinte, conversei com o Prazeres e questionei a entrada deste cavalo MANCO, gordo e completamente fora de forma. Ele ouviu meu desabafo durante uns 15 minutos e a única coisa que disse foi que seu maior erro foi não ter ido assistir o treino da égua na praia e só. Sobre o resto nada disse, ficou mudo. Não me explicou o porque desta decisão esdrúxula, sem nexo. Não soube explicar tamanha incompetência. Infelizmente, ele tinha entrado no esquema. Não fizeram o que era melhor para o país e sim para os "amigos".
Não tenho dúvidas de que procurei fazer o melhor para nosso país. Poderíamos ter tido uma colocação espetacular. Infelizmente ficamos na mão de ALGUNS veterinários que não foram honestos na sua função, pois não tiveram a consciência de nossa responsabilidade de representar nosso País.
Antonio Carlos Azevedo (Cacá)