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Reportagem



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Prova Cidade de Caxambu


Data: 10/04/2001


"São as águas de março fechando o verão...." e abrindo a temporada nacional

 

Sob forte chuva, encerraram e iniciaram as provas, o século e o milênio. Será um sinal de bons presságios? Para os animais e cavaleiros que participaram, tudo indica que sim. Pois é, embaixo de chuva, com largada e chegada no Parque José Bráulio Junqueira de Andrade, Estrada Caxambu - Baependi s/n.º, nos dias 30 e 31 de março e 1 de abril, foi dada a largada ao calendário nacional de provas FEI, Campeonato Mineiro e Campeonato CM de Enduro Eqüestre, com a Prova Cidade de Caxambu.

A programação foi aberta com a prova de Velocidade Livre FEI CEI-A, realizada em duas etapas (Mult Days): sexta-feira (30.3) e sábado (31.3), com início às 7h30 e percurso de 82,2 km por dia. A trilha escolhida por Cadão oferecia aos concorrentes uma paisagem de dar água na boca, além, é claro, de boa administração do percurso.

Logo no primeiro anel, a natureza apresentou uma subida forte com muitas pedras, seguida de trilha plana em cima da montanha e descida da Trilha da Cava, passando por uma estradinha com trechos planos, pequenas subidas e descidas. Mas os animais puderam descansar e se fartar no pit stop na travessia do rio Gamarra. Em relação à trilha, as opiniões dos enduristas divergiram. Segundo Ana Luísa Meirelles, "ela foi bastante pesada, com muito morro, porém muito bonita, faço somente uma ressalva: a competição internacional não exige tanto morro e pedras, que acabam exigindo e desgastando muito o cavalo e se temos o objetivo de competir internacionalmente, não precisamos desgastá-los, temos que evoluir o cavalo mais para velocidade e longa distância, e um terreno mais plano e mais saudável para o animal por um tempo mais longo."

Os demais anéis não deixaram por menos: subidas, planos, descida forte com pedras soltas, travessia de ponte, trilha e caminho margeando o rio Baependi, com passagem por riacho. Água, muita água para os cavalos. Novamente, a natureza se mostrava muito forte, como que desafiando os enduristas. Léo Steinbruch teria gostado bem mais se não tivesse sido desclassificado, "foi a trilha mais difícil que já fiz aqui no Brasil. Dos 82, 2 km percorridos, não tinha mais do que 2 km de plano. Particularmente, gosto de trilha que dê mais condições para o cavalo andar." Detalhe, com a desclassificação, Steinbruch participou da prova de velocidade livre CEI-B (sábado 31.3) e chegou em sexto lugar

A chegada dos concorrentes foi emocionante, pois no último anel, após ter sido anunciada por engano a desistência de Cida Gazola, a mineira, com 31 segundos de diferença, conquistou o primeiro lugar, deixando a paulistana Tatiana Galassi em segundo e Flávio Judar em terceiro, mostrando toda sua habilidade e conhecimento do esporte. "Esses 31 segundos eqüivaleram a um dia inteiro para mim. Foi muito puxado, além do que meu cavalo estava muito cansado e com os trabalhos na organização, não tive muito tempo para treiná-lo. Mas se tivesse perdido para a Tatiana, ia ser um prazer", complementou a campeã.

A segunda colocada, Tatiana Galassi, 25 anos, que se iniciou nas provas de regularidade da Copercom, atual Metabrasil, parou há dois anos devido à perda de uma égua, retorna com tudo nesse ano. "Fiquei muito feliz com o segundo lugar, ainda mais atrás da Cida, e enfrentando uma trilha difícil. Mas com um pouco de estratégia e sorte não teria recuperado o tempo do dia anterior. Arrisquei muito no final e eu e o Conan formamos uma dupla afinada", comentou Tatiana.

Para se ter uma idéia do desafio que a natureza impunha, dos 23 conjuntos que largaram, apenas nove conseguiram vencê-lo. Mas, não pensem que os demais se sentiram desanimados, pois quanto maior o desafio, maior a vontade de competir e terminar. Afinal, terminar é vencer é o lema dos enduristas.

As provas FEI CEI B- Adulto, Young Riders e Juniors, realizada no sábado, 31.3, também no mesmo percurso de 82,2 km, demonstrou mais uma vez a tendência atual do esporte: enfrentando os mesmos desafios, a molecada deu um banho de categoria. Dos 21 conjuntos que largaram, 17 conseguiram terminar, o que mostra a garra e a determinação da juventude, mesmo porque, em setembro será disputado o Campeonato Mundial de Young Riders, em Vitória, na Espanha. Marcelo de Abreu Pereira, vencedor da Young Riders, disse que é muito importante a participação em provas de grande dificuldade.

No domingo, 1 de abril, às 7 horas, foi a vez das provas Aberta Adulto, Jovem e PP, Graduada C Adulto, Jovem e PP e às 8 horas, Graduada D Adulto, Jovem e PP. Os participantes também enfrentaram, em quase sua totalidade, a mesma trilha, demonstrando que os desafios da natureza não os intimidaram, fazendo uma bela prova. Parabéns a todos.

Um importante apoio dado à Prova Cidade de Caxambu foi, sem dúvida, de Dora e Renato Vieira Marques, diretores do Hotel Glória. Apoiando o enduro há oito anos, o simpático casal teve participação ativa, acompanhando as largadas e chegadas dos enduristas e indo aos vet-checks.

Pela primeira vez no Brasil, Nancy Elliot, veterinária chefe da equipe americana no Mundial da França e campeã em Dubai, em 98, atuando como delegada veterinária estrangeira Prova Cidade de Caxambu, considerou-a de alto nível técnico, "principalmente as pessoas que montaram tomaram muito cuidado com os cavalos e a trilha estava muito bem marcada, mas se houvesse alguma problema, com certeza seria resolvido a contento, porque a organização da prova mostrou-se excelente." Nancy aprovou o profissionalismo dos veterinários brasileiros e disse "que irei levá-los para os EUA para trabalhar comigo nas provas em que chefiarei na parte veterinária.”

Participando, pela oitava vez, de provas no País, a endurista norte-americana Dominique Freeman (que já domina nosso idioma), faz uma comparação entre as provas brasileiras e as internacionais. "A diferença básica entre as provas daqui e as internacionais é que os cavaleiros têm uma forte equipe de apoio, inclusive com veterinários, onde uns ajudam os outros e participam vários cavalos do mesmo Centro de Treinamento, além da festa no final. Nos EUA não existe isso. Lá é o cavaleiro que trata do animal e quando a prova termina, coloca no trailer e vai embora. Basicamente, a disputa é a mesma, só que aqui é muito mais agradável, muito mais gostoso de participar."

 

Fonte: Cidinha Franzão


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