
"São as águas de março fechando o verão...." e abrindo a
temporada nacional
Sob
forte chuva, encerraram e iniciaram as provas, o século e o milênio. Será um
sinal de bons presságios? Para os animais e cavaleiros que participaram, tudo
indica que sim. Pois é, embaixo de chuva, com largada e chegada no Parque José
Bráulio Junqueira de Andrade, Estrada Caxambu - Baependi s/n.º, nos dias 30 e
31 de março e 1 de abril, foi dada a largada ao calendário nacional de provas
FEI, Campeonato Mineiro e Campeonato CM de Enduro Eqüestre, com a Prova Cidade
de Caxambu.
A
programação foi aberta com a prova de Velocidade Livre FEI CEI-A, realizada em
duas etapas (Mult Days): sexta-feira
(30.3) e sábado (31.3), com início às 7h30 e percurso de 82,2 km por dia. A
trilha escolhida por Cadão oferecia aos concorrentes uma paisagem de dar água
na boca, além, é claro, de boa administração do percurso.
Logo
no primeiro anel, a natureza apresentou uma subida forte com muitas pedras,
seguida de trilha plana em cima da montanha e descida da Trilha da Cava,
passando por uma estradinha com trechos planos, pequenas subidas e descidas.
Mas os animais puderam descansar e se fartar no pit stop na travessia do rio Gamarra. Em relação à trilha, as
opiniões dos enduristas divergiram. Segundo Ana Luísa Meirelles, "ela foi
bastante pesada, com muito morro, porém muito bonita, faço somente uma
ressalva: a competição internacional não exige tanto morro e pedras, que acabam
exigindo e desgastando muito o cavalo e se temos o objetivo de competir
internacionalmente, não precisamos desgastá-los, temos que evoluir o cavalo
mais para velocidade e longa distância, e um terreno mais plano e mais saudável
para o animal por um tempo mais longo."
Os
demais anéis não deixaram por menos: subidas, planos, descida forte com pedras
soltas, travessia de ponte, trilha e caminho margeando o rio Baependi, com
passagem por riacho. Água, muita água para os cavalos. Novamente, a natureza se
mostrava muito forte, como que desafiando os enduristas. Léo Steinbruch teria
gostado bem mais se não tivesse sido desclassificado, "foi a trilha mais
difícil que já fiz aqui no Brasil. Dos 82, 2 km percorridos, não tinha mais do
que 2 km de plano. Particularmente, gosto de trilha que dê mais condições para
o cavalo andar." Detalhe, com a desclassificação, Steinbruch participou da
prova de velocidade livre CEI-B (sábado 31.3) e chegou em sexto lugar
A chegada dos concorrentes foi
emocionante, pois no último anel, após ter sido anunciada por engano a
desistência de Cida Gazola, a mineira, com 31 segundos de diferença, conquistou
o primeiro lugar, deixando a paulistana Tatiana Galassi em segundo e Flávio
Judar em terceiro, mostrando toda sua habilidade e conhecimento do esporte.
"Esses 31 segundos eqüivaleram a um dia inteiro para mim. Foi muito
puxado, além do que meu cavalo estava muito cansado e com os trabalhos na
organização, não tive muito tempo para treiná-lo. Mas se tivesse perdido para a
Tatiana, ia ser um prazer", complementou a campeã.
A
segunda colocada, Tatiana Galassi, 25 anos, que se iniciou nas provas de
regularidade da Copercom, atual Metabrasil, parou há dois anos devido à perda
de uma égua, retorna com tudo nesse ano. "Fiquei muito feliz com o segundo
lugar, ainda mais atrás da Cida, e enfrentando uma trilha difícil. Mas com um
pouco de estratégia e sorte não teria recuperado o tempo do dia anterior.
Arrisquei muito no final e eu e o Conan
formamos uma dupla afinada", comentou Tatiana.
Para se ter uma idéia do desafio que
a natureza impunha, dos 23 conjuntos que largaram, apenas nove conseguiram
vencê-lo. Mas, não pensem que os demais se sentiram desanimados, pois quanto
maior o desafio, maior a vontade de competir e terminar. Afinal, terminar é vencer é o lema dos
enduristas.
As
provas FEI CEI B- Adulto, Young Riders e Juniors, realizada no sábado, 31.3,
também no mesmo percurso de 82,2 km, demonstrou mais uma vez a tendência atual
do esporte: enfrentando os mesmos desafios, a molecada deu um banho de
categoria. Dos 21 conjuntos que largaram, 17 conseguiram terminar, o que mostra
a garra e a determinação da juventude, mesmo porque, em setembro será disputado
o Campeonato Mundial de Young Riders, em Vitória, na Espanha. Marcelo de Abreu
Pereira, vencedor da Young Riders, disse que é muito importante a participação
em provas de grande dificuldade.
No
domingo, 1 de abril, às 7 horas, foi a vez das provas Aberta Adulto, Jovem e
PP, Graduada C Adulto, Jovem e PP e às 8 horas, Graduada D Adulto, Jovem e PP.
Os participantes também enfrentaram, em quase sua totalidade, a mesma trilha,
demonstrando que os desafios da natureza não os intimidaram, fazendo uma bela
prova. Parabéns a todos.
Um importante apoio dado à Prova Cidade de Caxambu foi, sem
dúvida, de Dora e Renato Vieira Marques, diretores do Hotel
Glória. Apoiando o enduro há oito anos, o simpático casal teve participação
ativa, acompanhando as largadas e chegadas dos enduristas e indo aos
vet-checks.
Pela
primeira vez no Brasil, Nancy Elliot, veterinária chefe da equipe americana no
Mundial da França e campeã em Dubai, em 98, atuando como delegada veterinária
estrangeira Prova Cidade de Caxambu, considerou-a de alto nível técnico,
"principalmente as pessoas que montaram tomaram muito cuidado com os cavalos
e a trilha estava muito bem marcada, mas se houvesse alguma problema, com
certeza seria resolvido a contento, porque a organização da prova mostrou-se
excelente." Nancy aprovou o profissionalismo dos veterinários brasileiros
e disse "que irei levá-los para os EUA para trabalhar comigo nas provas em
que chefiarei na parte veterinária.”
Participando,
pela oitava vez, de provas no País, a endurista norte-americana Dominique
Freeman (que já domina nosso idioma), faz uma comparação entre as provas
brasileiras e as internacionais. "A diferença básica entre as provas daqui
e as internacionais é que os cavaleiros têm uma forte equipe de apoio,
inclusive com veterinários, onde uns ajudam os outros e participam vários
cavalos do mesmo Centro de Treinamento, além da festa no final. Nos EUA não
existe isso. Lá é o cavaleiro que trata do animal e quando a prova termina,
coloca no trailer e vai embora.
Basicamente, a disputa é a mesma, só que aqui é muito mais agradável, muito mais
gostoso de participar."
Fonte: Cidinha Franzão