Pierre Cazes, técnico da equipe francesa de enduro eqüestre desde 1991, acompanhou a terceira etapa do VIII Campeonato Brasileiro Banco Real, disputada nos dias 19 e 20, em Cornélio Procópio, norte do Paraná. Profissional experiente, ele revolucionou o enduro eqüestre em seu país e por isso recebeu em 97 o prêmio de "Homem do Hipismo Francês". Ele trabalha na preparação da equipe francesa para o Campeonato Mundial, dia 13 de dezembro, em Dubai, nos Emirados Árabes, onde tentará chegar ao terceiro título.
O nível de organização do enduro eqüestre brasileiro impressionou a Cazes na prova de Cornélio Procópio. "O nível de organização e da gestão do enduro aqui é superior à Europa. Lá a organização das provas é feita por amadores voluntários e por isso você não pode ser tão exigente com voluntário. Porém, na Europa os cavalos estão mais dentro dos padrões da modalidade e a equitação mais adaptada ao esporte", comparou o técnico francês.
Cazes, que veio ao Brasil a convite da Confederação Brasileira de Hipismo, Verdes Eventos e Guilherme Ferreira Santos, acredita que o enduro brasileiro poderá dentro de dois ou três anos chegar a um nível internacional. Segundo ele, para isso é preciso ter uma organização política e esportiva. Hoje os países de maior potencial na modalidade são França, Espanha e Inglaterra.
Ele explicou que na França é dado apoio ao esporte de lazer e ao de competição. "Lá nós temos uma estrutura técnica nacional que gerencia o esporte de alto nível e os cavaleiros de base, que estão começando, têm condições de chegar ao nível superior. Os mesmos são escolhidos e gerenciados pela comissão técnica".
O enduro eqüestre é a modalidade mais popular entre os esportes hípicos na França. Segundo Cazes o crescimento é de 15 a 20% ao ano e atualmente ocupa a segunda posição no número de participantes, o salto ainda ocupa a primeira colocação. A França conta hoje com cinco mil cavaleiros de enduro, num país de 60 milhões de habitantes e entre 8 e 10 mil cavalos. Para o Campeonato Mundial, o treinador explicou que 20 cavaleiros estão sendo observados e desses, seis seguirão para Dubai.
O crescimento da modalidade é enfatizado por Cazes. "No Campeonato Mundial em dezembro, estarão participando 40 países, enquanto nos Jogos Eqüestres Mundiais, em outubro, na Itália, não haverá mais do que 30 países. Existe interesse de vários países em fazer com que o enduro eqüestre faça parte dos Jogos Olímpicos. Já estão sendo mantidos contatos com os dirigentes gregos e o Comitê Olímpico Internacional para que na Olimpíada de 2004, em Atenas, a modalidade seja incluída. E, aproveitando este Mundial em Dubai, os dirigentes ligados ao enduro estão pedindo apoio dos países árabes junto ao COI", destacou.
Os árabes têm interesse na modalidade, tanto assim que os cavalos da equipe francesa no Mundial do Kansas (EUA), em 96, foram vendidos para os árabes por 400 e 600 mil dólares.
Jean Pierre Allegret, presidente do Comitê Nacional de Corridas Eqüestres de Resistências, que também esteve acompanhando Cazes, a Cornélio Procópio, informou que na França são realizadas cerca de 400 provas durante o ano. Além do Comitê Nacional, que organiza as provas de Velocidade Livre, existem os comitês regionais, que promovem as provas de regularidade.
Segundo Homero Diacópulos, diretor da Verdes Eventos, organizadora do Campeonato Brasileiro Banco Real de Enduro Eqüestre, a vinda dos franceses faz parte de um intercâmbio que deve se intensificar a partir de agora. Ele explicou que cavaleiros do Brasil também devem disputar provas na França, com o aval da Confederação Brasileira de Hipismo. O primeiro é o paulistano Léo Steinbruch, que já seguiu para a Europa.
Matérial enviado por Verdes Eventos.
Responsável: Renato Fabretti - MTB 16051 - ZDL